Autoria: Lília Momplé

ISBN: 978-989-36116-5-4

Gênero: Romance

N.de páginas: 119

Formato: 14×21 cm

Temas centrais: colonialismo, racismo, vozes marginalizadas.

Lançamento: 03/2026

Preço (PVP): 16,96€

Romance

Ninguém Matou Suhura

Lília Momplé

sinopse

Quando aos 10 anos completei o ensino primário, com enorme sacrifício dos meus pais, fui estudar para Lourenço Marques, actual Maputo, continuei a ver negros descalços e rotos nas ruas e confinados nos chamados “bairros indígenas” onde ciclicamente morriam de doenças hídricas e malária. Nos ônibus, os negros só podiam sentar-se no banco de trás mesmo que todos os outros bancos estivessem vazios.

Eu própria, por ser mulata, embora fosse uma das melhores alunas, fui proibida de participar no baile das finalistas do meu ano.

Por isso, não foram apenas a beleza e a magia da Ilha de Moçambique, (…) que me estimularam a escrever e partilhar com os outros os meus sentimentos e emoções. Foi também a dor profunda que, durante anos, tive que suportar ao conviver diariamente com a discriminação e a injustiça.

Este meu primeiro livro, Ninguém Matou Suhura, foi escrito só depois da Independência do meu país e é a realização de um sonho antigo, ao mesmo tempo que me permitiu realizar uma verdadeira catarse, livrando-me de uma carga emocional que carreguei durante anos.

Sobre o autor

Lília Momplé

 Lília Maria Clara Carrière Momplé nasceu em 1935, na Ilha de Moçambique, localizada na província de Nampula. Fez o ensino secundário na então capital colonial Lourenço Marques. Devido às altas classificações obtidas, pôde conseguir a ida para Portugal para prosseguir os estudos. Após a independência moçambicana, em 1975, Lourenço Marques passa a se chamar Maputo e se torna a capital do país Moçambique.

Além de Portugal, viveu também na Inglaterra (em Londres), e no Brasil (em São Paulo e na Bahia).

 

Lília Momplé é membro de honra da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), da qual foi presidenta. 

Recebeu o I Prémio de Novelística no Concurso Literário do Centenário de Maputo (1987), o Prémio Caine para a Escrita Africana (2001) e o Prémio José Craveirinha de Literatura (2011).

Manifesto

A língua portuguesa não pertence a um único lugar. Ela é mátria — não de uma nação, mas de todos os que a habitam, transformam e reinventam.

Publicamos para preservar o que é diverso, para dar voz ao que é plural. Cada livro que editamos é um acto de resistência contra o silêncio, contra a uniformidade.

Acreditamos que a literatura é um espelho onde todas as variedades da língua podem ver-se e reconhecer-se.

Do Brasil a Moçambique, de Portugal a Timor, de Angola a Cabo Verde, de Goa a Macau — a mesma língua, infinitas vozes.

Somos uma editora independente. Somos uma casa para as línguas mátrias.